- Estaremos aqui com a Lorena Ribeiro hoje, nova integrante do programa Canal Aberto e correspondente do Rio de Janeiro. Bom dia, Lorena!
- Bom dia, José Maurício, Bom dia ouvintes da rádio ( Hummm… qual o nome da rádio mesmo? Olha no papel rápido, Lorena. Costa do Sol. Isso ) Costa do Sol!
Levanto. Dou um pulo ligeiro para o lado do operador de som, e vislumbro todos aqueles botões como uma criança baba em cima de um videogame. Pergunto como coloca as músicas, onde vê a hora, qual a frequência, o que é isso, o que é aquilo. Volto para a mesa do estúdio, e o Zé comenta para os ouvintes:
- Mas a Dona Lorena é uma menina curiosa, já foi ver como tudo funciona por aqui!
E eu respondo com entusiasmo, alto e bom tom, às 6:45 da manhã:
- Tem que saber como é que funciona PELA FRENTE E POR TRÁS!
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Gargalhadas. Menina esperta.
Foi assim minha incursão no radiojornalismo hoje, em meio a muito café, olhares desconfiados, algumas gagueijadas, e muitas risadas.
Descobri esse interesse pelo veículo há pouco tempo, diante uma proposta de trabalho. Resolvi buscar um curso rápido que me desse alguma noção sobre o que eu estava me metendo, e me surpreendi. A-d-o-r-e-i. Me lembra a época do teatro, não tem como negar, até porque devo aos oito anos de sua prática a minha dicção atenta e entonações atrativas. É como interpretar o papel de repórter, e sê-lo ao mesmo tempo. Orgasmo múltiplo.
Li três notícias, mas agora só lembro integralmente da primeira, que falava sobre a liberação por parte do governo federal de 25 milhões de reais para a reparação das estradas prejudicadas pela chuva. Não me avisaram que eu ia fazer a locução das matérias, simplesmente, em questão de 30 segundos, recebi as três folhinhas, dei uma passada de olhos buscando por possíveis problemas com pronúncia, circulei algumas palavras… e AO VIVO. Lá estava eu. Casando respiração, entonação, ritmo e ansiedade. O Quadrado Mágico se virou nos 30, e deu gostinho de quero mais.
A rádio é de interior e pequena, as matérias não são exclusivas tampouco contam com grandes depoimentos de personalidades ( AINDA ! Porque vou batalhar nisso), mas me encantou. Como há muito tempo não me sentia, desde que me distanciei dos palcos, parecia que estava em casa.
Jornalismo deve ser mesmo uma cachaça, como um locutor pé-de-cana me confidenciou antes de entrar pro seu time.
Escrever, ler, falar, interceder, apresentar, denunciar, citar, criar… é comigo mesma!
Afinal, quem não se comunica, se trumbica… pela frente e por trás!