Crônicas, Crises, Cotidiano

agosto 7, 2010

36

Filed under: Uncategorized — pelanoitedorio @ 3:01 pm

Tamanho 36.

Creio que minha etiqueta está para fora. Se bobear, com preço e tudo. Acho que algumas pessoas tentam ler no pequeno retângulo de poliester o motivo para a maioria das minhas atitudes que parecem inversas ao mundo. Na verdade, prefiro até ser. Tenho uma blusa preta que só gosto de usar ao contrário. Pode ser mania ou alternativa. Você pode escolher como lidar com cada situação.

Vou desenhar.

Certa vez, voltando da labuta, durante mais uma das exaustivas noites do Centro do Rio, uma chuva repentina e grosseira começou a cair e surpreender os assalariados que formavam a marcha dos pinguins nas barcas de Niterói, da qual fazia parte. O aguaceiro conseguiu tirar do compasso a coreografia cansada e empurrada da multidão que descia do barco, e transformou a marcha numa correria ensopada e desgovernada. Eu não gosto de guarda-chuva. Não adianta. Enquanto todos abriam seus tetos de tecido e aceleravam os passos, eu ria. Ria mesmo, com um sorriso abertão. Não procurei um teto. Não esperei passar. Comecei a andar até o último ponto de ônibus sentindo cada gotinha d´água lavar o cansaço da rotina. As pessoas que passavam por mim, quando me notavam, mostravam incompressão. Outros se contagiavam. A verdade é que foi uma delícia chegar em casa com as roupas 2 kg mais pesadas. Me senti leve.

Minha etiqueta não tem prazo de troca. Se eu quiser mudar de opinião, transladar gostos e transformar sentimentos, troco. Tem gente que se agarra a tabus, raízes, pré-conceitos e instituições. Eu abraço forte a liberdade e o prazer. E muitos cruzam o braço pra isso.

Coisa esquisita.

Sempre usei meu nome como Lorena Ribeiro, mas agora quero passar a investir no Pimentel.

Família da mamãe.

O que acham?

Prazer, agora sou Lorena Pimentel.

(OBS: Esta crônica estava em meus rascunhós há 2 anos e, por incrível que pareça, ainda não mudei de opinião. Odeio guarda-chuva. Amo o nome da minha mãe. O problema é que, em breve, terei que acrescentar mais um. Mas isso é assunto para outra hora!)

agosto 5, 2010

MEA CULPA

Filed under: Uncategorized — pelanoitedorio @ 3:16 pm

Eu confesso. Confesso tudo. Pago penitência. A culpa é minha mesmo. Vítima e réu de uma vez só. Sentada no banco da acomodação e do silêncio. Empurrada para a luz pelas onipresentes redes sociais. Confesso: havia me esquecido de vocês. Mas acho que fica pior.

Esqueci de mim. Nos últimos dois anos, quis mais os outros. Os outros amigos, os outros amores, os outros rumores. Quis o que não tinha. Quis me formar em jornalismo, quis me mudar, me mudar de todos os jeitos que a polissemia do verbo suporta. E só hoje, quando vasculhei meu blog novamente, desejei ser eu de novo.

Me apaixonei por mim. Pelo romance que tinha com as palavras, com as poeiras da vida escondidas sob os tapetes, com vocês – amantes desconhecidos que presenteavam com comentários doces. Quero floreios. Flores. 

Tive ciúmes de mim. Da magia que via no mundo, nas pessoas, nas dores. A ambição por um futuro próspero me machucou. Abriu uma ferida no meu pé para não fazer balé com as circustâncias. Tinha encerrado meu espetáculo.

É minha culpa. Meia culpa. Culpa e meia. E o maior castigo que posso ter, já sinto na carne e nos dedos.  É essa vergonha de escrever aqui novamente. Como se o corpo estivesse mais volumoso e fosse ser execrada ao me despir. O seio arrepia. O seio de tudo isso é o medo mais caloroso de quem vive essa febre de aceitação pelo mundo: a falha.

Falhei com vocês. Falhei comigo. E estou de volta. Por favor, me façam ficar.

Confesso que eu já não sou mais a mesma. Mea culpa.

OBS: Esse post é uma homenagem à Lia Winter (www.liawinter.wordpress.com), que parece padecer da mesma doença que eu. Nosso inverno está longo demais.

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