Eu confesso. Confesso tudo. Pago penitência. A culpa é minha mesmo. Vítima e réu de uma vez só. Sentada no banco da acomodação e do silêncio. Empurrada para a luz pelas onipresentes redes sociais. Confesso: havia me esquecido de vocês. Mas acho que fica pior.
Esqueci de mim. Nos últimos dois anos, quis mais os outros. Os outros amigos, os outros amores, os outros rumores. Quis o que não tinha. Quis me formar em jornalismo, quis me mudar, me mudar de todos os jeitos que a polissemia do verbo suporta. E só hoje, quando vasculhei meu blog novamente, desejei ser eu de novo.
Me apaixonei por mim. Pelo romance que tinha com as palavras, com as poeiras da vida escondidas sob os tapetes, com vocês – amantes desconhecidos que presenteavam com comentários doces. Quero floreios. Flores.
Tive ciúmes de mim. Da magia que via no mundo, nas pessoas, nas dores. A ambição por um futuro próspero me machucou. Abriu uma ferida no meu pé para não fazer balé com as circustâncias. Tinha encerrado meu espetáculo.
É minha culpa. Meia culpa. Culpa e meia. E o maior castigo que posso ter, já sinto na carne e nos dedos. É essa vergonha de escrever aqui novamente. Como se o corpo estivesse mais volumoso e fosse ser execrada ao me despir. O seio arrepia. O seio de tudo isso é o medo mais caloroso de quem vive essa febre de aceitação pelo mundo: a falha.
Falhei com vocês. Falhei comigo. E estou de volta. Por favor, me façam ficar.
Confesso que eu já não sou mais a mesma. Mea culpa.
OBS: Esse post é uma homenagem à Lia Winter (www.liawinter.wordpress.com), que parece padecer da mesma doença que eu. Nosso inverno está longo demais.